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-1 de maio de 2005 -

O Último cigarro (da série)

O último cigarro - dessa rodada - foi um tanto diferente. Primeiro, porque foi um Marlboro 'Blue', como o novo produto deverá ficar conhecido nas padarias paulistanas. O 'blue' vem completar a colorida família de Marlboros, que já tinha o tradicional 'vermelho' (que eu fumava), o 'dourado' (ligth) e o 'silver' (extra-light). O azul tem o mesmo teor de nicotina do vermelho, só que com um pouco menos de alcatrão, pelo menos é o que está escrito na embalagem. O sabor é praticamente igual. Se não fosse o meu último dia (desse turno), eu provavelmente trocaria a velha caixinha vermelha e branca, que me acompanhou por tantos anos, por essa linda, azul-metálica com detalhes prateados.

Mas este post é para falar do último cigarro (de uma série). Ao contrário de outros últimos cigarros, dessa vez não senti a melancolia da despedida, a expectativa de saudade, o gozo envergonhado. Na verdade, fumá-lo me custou até um certo sacrifício. Devia ser umas duas da manhã, eu estava praticamente dormindo no sofá, fingindo assistir algum programa de TV, com preguiça de executar qualquer movimento. Para deitar-me faltava - além de escovar os dentes e vestir o pijama - fazer o ritualzinho de despedida com um mínimo de formalidade, que imprimisse um certo ar 'oficial' e marcasse o incío da nova fase. Esse último cigarro foi portanto fumado por obrigação, não por prazer. Esforcei-me para levantar do sofá. Fui ao único cômodo onde posso fumar em casa - o banheiro - e acendi. Mal me lembro das sensações e reflexões, embriagado que estava pelo sono. Fumei-o até o fim, em tragadas profundas para apressar a combustão, e atirei-o ao vaso sanitário. Ao vaso também foram lançados, depois de minuciosamente despedaçados, os 4 cigarros remanescentes no maço azul, e que, como já sabemos de experiências anteriores, tinham de ser eliminados de uma forma que não deixasse qualquer possibilidade de recuperação no dia seguinte. A válvula de descarga penou para levar esgoto abaixo toda aquela porcaria. Que diferença entre este túmulo - o esgoto -, e o túmulo dos cigarros remanescentes da vez anterior. Da mesa de onde escrevo agora (num raríssimo post feito em casa, não no escritório) estou a três palmos de distância dos cigarros que no muro da divisa eu decidi mumificar. Na ocasião pareceu-me boa idéia criar um 'muro de lamentações', por assim dizer, mas hoje veio um receio de que o fantasma que lá alojei trabalhe não a meu favor, mas contra mim.

Pois apesar de todo o sono, quando por fim deitei-me, ainda fiquei uma hora rolando na cama, procurando uma posição em que os pulmões chiassem menos entre uma tossida e outra. Quando fumo antes de deitar, minha respiração fica emitindo miados agudos e ritmados, isso é normal. Em geral, com uma ou duas pigarreadas eu consigo empurrar o catarro para uma posição menos ruidosa, mas naquela noite, nem várias tossidas a plenos pulmões (que chegaram a acordar minha mulher) conseguiram despachá-lo. Como se soubesse que estava prestes a ser expulso da casa que invadira, o catarro insistiu naquela manifestação barulhenta contra a 'reintegração de posse' que naquele momento se iniciava.

Na noite seguinte, depois de um dia completo sem cigarros, já respiramos aliviados... O pigarro é essa coisinha desprezível. Mesmo quando promovido a catarro, como no meu caso (por conta de uma gripe mal curada), ele faz mais barulho que estrago, é o primeiro efeito visível e audível da condição de viciado, mas também o primeiro a bater em retirada quando o inimigo esboça reação, deixando a ilusão de que será fácil ganhar a guerra.

Tabac - 19:23

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