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-28 de março de 2006 -

Infeliz Ano Novo

Este ano começou mal. Tanto que ainda falo do começo do ano no fim de março. E pulo já para as Festas, desculpando-me pelo irreparável hiato que vai ficar entre elas e o dia 24 de outubro, data do útimo post. Se serve de consolo, nada aconteceu digno de nota nesse período. E talvez os acontecimentos das Festas até hoje também não sejam muito relevantes no contexto deste blog, espero que sumam dos registros da memória no futuro, mas quis dar um sinal de vida, e outro assunto não me ocorre.

Dessa vez não pude passar a semana do Ano Novo na praia, como de praxe. Minha filha mais velha pegou uma pneumonia, e tivemos que ficar em São Paulo para visitar médicos, prontos-atendimentos e laboratórios de análises clínicas. Aproveitamos para comparecer a um velório do pai de um amigo, falecido em 28 de dezembro. A menina melhorou, graças a Deus, e pudemos finalmente zarpar para o Guarujá logo depois da missa de sétimo dia, em 5 de janeiro, pretendendo ficar até pelo menos o dia 13. Mas tivemos que antecipar a volta, pois a malvada da bactéria já tinha furtivamente se instalado nos pulmões da nossa filhinha mais nova, que acabou por cair doente.

E o que era para ser nosso tradicional período de "recarga de baterias", as duas semanas sagradas que a gente sempre reservou para colocar um ponto final - ou reticências, que seja - no ano velho e liberar ao menos algum espaço mental para idéias novas, acabaram resumidas a insuficientes três dias.

Tinha planejado mais uma parada para se iniciar na praia. Não que eu considere essas datas comemorativas, no caso o Ano Novo, como momentos particularmente bons para empreender mudanças. Tanto que o reveillon passamos em casa, só eu, mulher e filhas. Adentrei o Ano Novo tomando guaraná, assistindo aos fogos pela TV, e fumando sem nenhuma culpa.

Mas sair da rotina para mim é um facilitador. Tinha portanto decidido começar a parar e voltar às minhas corridas assim que desembarcasse na praia. Foi o que fiz. Eu disse "começar a parar" porque o plano era diminuir bastante o consumo de cigarros nos primeiros dias, queimar apenas o maço trazido de São Paulo e não comprar mais.

Comecei bem: o maço durou três dias, o triplo do normal, e corri 6 quilômetros ao todo. Mais especificamente, fumei 10 cigarros no primeiro dia e corri 3 quilômetros, 7 cigarros e uns 2 quilômetros no segundo, e 3 cigarros e 1 quilômetro no terceiro.

Observador atento, você agora deve estar se perguntando: "ué, por que você correu cada dia menos, quando o natural seria, com a diminuição do cigarro e a progressão do treinamento, correr mais?" Porque lesei o tendão tibial posterior direito, isso ficou esclarecido algumas radiografias e ressônancias magnéticas depois. O incidente, ao que tudo indica, aconteceu no primeiro dia, o dos 10 cigarros e 3 quilômetros. Nos dois dias seguintes eu fui um verdadeiro herói da persistência, ou se preferir, um teimoso idiota, ao ignorar a dor e continuar correndo com o tornozelo estropiado.

No quarto dia, já em São Paulo, enquanto agendava médicos etc. para minha caçula e para mim mesmo, diante das alternativas de lazer que me restaram para os últimos dias de folga - ler e assistir DVDs -, resolvi adiar mais uma vez o projeto Novo Tabac modelo 2006, já que o ano de 2006 propriamente dito estava fora da minha jurisdição adiar.

Limitei minhas caminhadas ao estritamente necessário, isto é, entre o carro, a cadeira, a cama e o banheiro. A recuperação de uma lesão nessa região é mesmo lenta, fui convencido disso depois de consultar três médicos, um ortopedista, que atribuiu minha lesão a uma combinação de esforço traumático e má postura; um acunpunturista, que trabalha com a hipótese de artrite; e um obstetra, primo meu, que faz as vezes de clínico geral e dá o voto de minerva toda vez que a família se depara com polêmicas médicas.

Hoje meu tornozelo está um pouquinho melhor, já consigo claudicar as duas quadras do escritório até o restaurante onde almoço, mas ainda tenho pelo menos um mês para voltar a pensar em atividade física. Terei que começar com natação ou hidroginástica.

Enquanto isso, aproveitei para fazer o check-up que fiquei devendo a um certo senhor de meia-idade desde seu aniversário de 40 anos. O colesterol está alto, como já esperavamos, por isso ele passou a tomar, além do corticóide para o tornozelo, um comprimidinho diário de atorvastatina. O que não esperávamos era um tal de "distúrbio de condução intra-ventricular" acusado pelo eletrocardiograma de repouso. Segundo o cardiologista do convênio, não há nada com que se preocupar. Segundo o primo obstetra, seria o caso de investigar melhor, por via das dúvidas. Para tanto, será necessário um teste ergométrico, que consiste em correr numa esteira, coisa que o senhor não pode fazer no momento. Então vamos esperar mais uns três meses, até lá o tornozelo melhora e a atorvastatina já deverá ter surtido efeito, para então consultar um outro cardiologista, um fera indicado pelo obstetra, que não atende por convênio.

Fora isso, a cadela Labrador lá de casa está com câncer. Eu não sabia que essa praga humana já estava assolando os inocentes animais. Ela já passou por duas cirurgias de remoção de tumores, e o processo de cicatrização está muito lento. Tem um rombo do tamanho de uma laranja no dorso, que verte ininterruptamente um líquido ensangüentado de odor fortíssimo. Aguardamos a cicatrização para iniciar a quimioterapia. Eu não tenho maiores vínculos afetivos com o animal, se fosse decisão minha eu não teria operado, deixaria a natureza agir e ele viver dignamente pelo tempo que fosse possível. Mas minha mulher adora o bichinho, e não mede esforços para salvá-lo. E que esforço. O curativo, feito com uma fralda de bebê, precisa ser trocado todo dia. O procedimento inclui uma lavagem com esguichos de soro fisiológico e a drenagem dos fluidos fétidos, tarefa para estômagos fortes. Ela está passada com a situação. Eu acabo me abalando por tabela.

No lado profissional, também não dá para comemorar os resultados deste ano. Tive que encarar a inviabilidade de uma empresa na qual investi somas consideráveis de dinheiro e tempo durante os últimos dois anos. Chegamos à dura constatação de que é melhor fechar do que continuar enterrando grana com riscos altíssimos, até porque não temos a grana necessária. Na minha atividade liberal, fiz algumas propostas de serviço que até agora não vingaram, e a probabilidade de turbulências financeiras está crescendo.

Mas o pior de tudo, e só agora depois de escrever eu me dou conta, é que nada disso foi suficiente para desencadear uma reação da minha parte, não sei se por falta de energia ou de direção. Ou de ambas.

Tabac - 19:20

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